Associação de Psiquiatria do Estado do Ceará sai em defesa da instalação de leitos psiquiátricos para internamento de pacientes em estado grave

No último 26 de julho, a Associação de Psiquiatria do Estado do Ceará (APEC) lançou nota oficial em apoio à instalação de leitos psiquiátricos para internamento de pacientes em estado grave no Ceará. O pronunciamento vem num momento em que a instalação de uma unidade de atendimento psiquiátrico é anunciada na região do Cariri Cearense. O empreendimento, chamado Núcleo de Saúde Mental, tem o foco de prestar atendimento integral à saúde de pacientes com transtornos mentais e dependência química e oferecer a oportunidade para uma reestruturação da vida dessa pessoa. A previsão de iniciar os serviços é julho de 2022. 

Na fundamentação da manifestação, a APEC considera normativas de âmbito federal para embasar o apoio. Em Nota Técnica de 2019, o Ministério da Saúde dispõe sobre novas diretrizes para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) que acrescentam aos serviços já existentes,equipamentos como: Ambulatório Multiprofissional de Saúde Mental – Unidades Ambulatorias Especializadas; Hospital Psiquiátrico; Hospital-Dia. 

Outro destaque priorizado pela entidade é a Lei nº 10.216/01, mais conhecida como “Lei Antimanicomial”, que estabelece como  direito à saúde e proteção de pessoas com transtornos psiquiátricos. Nesse sentido, o pronunciamento da APEC menciona ainda as evidências científicas que relacionam diretamente o aumento de suicídios e criminalidade com a diminuição de leitos psiquiátricos. 

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil conta hoje com uma cobertura deficitária nesta modalidade assistencial. Somando leitos em Hospitais Psiquiátricos e aqueles em Hospitais Gerais, há cerca de 0,1 leito por 1.000 habitantes, quando o preconizado pela própria Pasta seria de 0,45 por 1.000 habitantes. “[…] não podemos olhar os transtornos mentais de maneira simplificada ou romantizada. Estamos em uma epidemia de sofrimento emocional”, reforça a APEC no documento. 

Enfatiza-se também a obrigatoriedade da existência de Hospitais Psiquiátricos, como preconiza a Lei Antimanicomial. No pronunciamento, a APEC diz apoiar abertura de hospitais psiquiátricos no território cearense que atuem de forma humanizada e forneçam tratamento num tempo hábil de recuperação do paciente. Ainda, exprime total desaprovação às instituições que pratiquem os moldes manicomiais e institucionalizam o paciente psiquiátrico. 

O Núcleo de Saúde Mental do Cariri

O Núcleo de Saúde Mental está previsto para inaugurar em julho de 2022 na cidade do Crato, interior do Ceará. A estrutura foi projetada para expandir horizontal e verticalmente, de acordo com o crescimento da demanda por atendimentos. Inicialmente, serão 3.000m² de área construída, com 30 leitos em apartamentos duplos e/ou individuais, Pronto Atendimento com consultório médico e sala de observação. 

O objetivo é criar um ambiente terapêutico que possibilite o acesso do paciente a novas formas de se relacionar, com musicoterapia, yoga, educação física, campo, piscina. O serviço funcionará num modelo totalmente diferente do adotado antigamente. O foco é um tratamento baseado na clínica ampliada do sujeito, que trate o paciente como um todo e não apenas  os sintomas. Desta forma, é possível garantir a civilidade do paciente. 

“É possível haver internamento sem haver manicômio”; leia entrevista concedida ao Site Miséria 

Medicamentos psiquiátricos causam dependência? Conheça (e rompa) com os maiores estigmas sobre o assunto

Um grande impeditivo de pessoas buscarem um tratamento psiquiátrico  é o medo das medicações e suas reações. Muitas vezes, levam em conta informações falsas ou distorcidas e acabam colocando a saúde mental em último plano. Há o medo da dependência, de ficar incapacitado(a), de aumentar de peso, de passar a vida inteira tomando um remédio… O assunto é de fato cercado por dúvidas e inseguranças, mas isso provavelmente se deve ao histórico de antigas medicações  que geravam efeitos adversos  desconfortáveis aos pacientes. Felizmente, as últimas décadas foram de avanços significativos para a neurociência, inclusive no desenvolvimento de psicotrópicos mais modernos e eficazes. 

Devemos começar por um dos pontos mais importantes que é a definição de dependência. O Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana (DSM-IV) define a dependência como um padrão mal adaptativo do uso de substâncias, que leva a prejuízo ou sofrimento significativo, caracterizado pela presença de três ou mais dos critérios a seguir, pelo período de um ano: 

  • tolerância;
  • abstinência;
  • consumo por período de tempo mais prolongado e em quantidades maiores que o planejado; 
  • desejo persistente de uso e incapacidade para controlá-lo; 
  • muito tempo gasto em atividades para obtenção da substância;
  • redução do círculo social em função do uso da substância;
  • persistência do uso da substância, apesar de prejuízos clínicos.

Nesse sentido, muitas pessoas relacionam, de forma generalizada, os psicotrópicos à dependência química, pois acreditam que com a retirada do medicamento, o paciente sofrerá abstinência. O primeiro erro é acreditar que todos os fármacos prescritos por psiquiatras causam dependência. Antidepressivos, antipsicóticos, estabilizadores de humor, entre outros, não têm potencial de dependência. 

A classe de medicação que pode ter mecanismos de gerar dependência é a dos benzodiazepínicos, mais conhecidos como “receita azul” ou “tarja preta”. São medicamentos de grande importância para tratamento  agudo da ansiedade, ou seja, aliviar sintomas a curto prazo. São utilizados com muito critério médico e sim, podem apresentar perigos quando administrados de forma descontrolada, como no caso de pessoas que se automedicam. 

Muitos pacientes também temem que irão passar o resto da vida tomando um remédio ou queixam-se sobre a dificuldade de retirar o medicamento. O tempo de uso vai depender de cada transtorno e da gravidade dos sintomas. Não é que seja difícil parar, mas é o psiquiatra quem tem a competência de conduzir a estratégia de retirada da melhor maneira para não causar desconfortos ao paciente. 

No geral, na maioria dos casos, o tratamento medicamentoso é temporário. Somente em alguns casos, por serem refratários, resistentes ou crônicos, é necessário tratar sem previsão de alta porque o benefício será maior que o prejuízo. 

“O que deixa uma pessoa disfuncional é o transtorno mental e não a medicação. Estas, são usadas para corrigir qualquer déficit causado pelo transtorno psiquiátrico. No cenário brasileiro, dentre os 10 problemas de saúde mais incapacitantes, cinco são psiquiátricos.” 

Outro ponto permeado por estigmas é uma suposta improdutividade causada por antidepressivos. O que deixa uma pessoa disfuncional é o transtorno mental e não a medicação. Estas, são usadas para corrigir qualquer déficit causado pelo transtorno psiquiátrico. No cenário brasileiro, dentre os 10 problemas de saúde mais incapacitantes, cinco são psiquiátricos. 

Há muitos mitos, inverdades e desinformações espalhadas por aí sobre assuntos relacionados à saúde mental. Por outro lado, estamos trilhando um caminho de conscientização sobre a importância de um olhar atento às questões da saúde mental. Toda e qualquer medicação precisa ser recomendada por um profissional da saúde qualificado para tal ato. Por fim, o estigma sobre o uso de psicofármacos precisa ser superado, tendo em vista que doenças psiquiátricas precisam de tanta atenção e cuidado quanto qualquer outro adoecimento. 

“É possível haver internamento, sem haver manicômio”; leia entrevista concedida ao Site Miséria

Com o anúncio da construção de uma nova unidade de saúde com abordagem psiquiátrica na região do Cariri Cearense, muitas dúvidas e críticas surgiram no debate público. Isso ocorre por dois motivos:  pouco se conhece sobre a Lei Antimanicomial nº 10.216, de 6 de abril de 2001; e ainda há grande estigma sobre tratamentos médicos adequados para pacientes psiquiátricos. 

O Núcleo de Saúde Mental está previsto para inaugurar em julho de 2022 na cidade do Crato, interior do Ceará. A estrutura foi projetada para expandir horizontal e verticalmente, de acordo com o crescimento da demanda por atendimentos. Inicialmente, serão 3.000m² de área construída, com 30 leitos em apartamentos duplos e/ou individuais, Pronto Atendimento com consultório médico e sala de observação. 

Enquanto sócio-proprietário do Núcleo, concedi entrevista ao Site Miséria e falei de assuntos como o modelo de internamento não asilar, compreendido Lei nº 10.21; a carência profunda no Brasil por leitos dedicados ao paciente psiquiátrico e o conceito de ambientoterapia que trabalharemos. É momento de elucidar esses pontos para deixarmos o passado sombrio para trás e fortalecer as novas abordagens terapêuticas praticadas pela medicina que priorizam a individualidade e bem-estar de cada paciente. 

Se você tem dúvidas sobre a temática e quer entender melhor, confira a entrevista completa:

Site Miséria: De onde surgiu a ideia de abrir um hospital psiquiátrico no Cariri? Por que?

Thiago Macedo: Primeiramente queremos desconstruir a ideia de hospital, pois hospitais psiquiátricos remetem a antigos manicômios, que, de forma alguma, se aproximam com a nossa proposta. O Núcleo de Saúde Mental do Cariri foi idealizado com uma concepção inovadora para nossa região, mas que já existe em outros centros e países desenvolvidos. A OMS preconiza a existência de 0,45 leitos por 1000 pessoas, mas no Brasil há uma lacuna absurda, tendo apenas 0,041 leitos para 1000 pessoas. Essa desassistência repercute absurdamente na vida de pacientes que sofrem com quadros agudos graves. Nessa perspectiva, resolvemos trazer para região do Cariri o que há de mais moderno em tratamento ambulatorial e com internamentos breves para pessoas que passam por suplício. Vivemos, ainda, às sombras dos manicômios antigos e muitas pessoas são tratadas de formas inadequadas em comunidades terapêuticas que sequer cumprem com o rigor da definição de um modelo não asilar.

SM: O projeto apresenta a unidade hospitalar com uma alternativa inovadora para tratamento interno de transtornos mentais. Ainda assim, recebeu algumas críticas, inclusive citando a lei antimanicomial (Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001). Há equívoco nas críticas? Por que?

TM: O grande equívoco nas críticas é considerar a lei 10.216 como marco proibitivo para internamentos. A lei é clara e através dela são listados os inúmeros direitos das pessoas acometidas por transtornos mentais. Ela vem para nortear a acertada mudança de planos na assistência, dando ênfase aos serviços da atenção primária e secundária, como CAPS e ambulatórios, proibindo expressamente internamentos em regimes asilares. A lei é perfeita, não há o que questionar. É importante salientar aqui o artigo 4º, em que cita a internação, quando temos a precisa indicação dessa conduta somente na insuficiência de outros recursos. O inciso 2º deste mesmo artigo discorre sobre o que é uma internação adequada e não asilar, que seria com assistência integral, equipe multidisciplinar com médicos, enfermeiros, assistente social, psicólogos, terapeutas ocupacionais e lazer. No caso do nosso serviço, nutricionista, educador físico, arteterapia, musicoterapia.

SM: O hospital anunciou o uso da Eletroconvulsoterapia, o que também chegou a ser criticado na internet. Do que se trata e como o senhor vê as críticas a tal alternativa de tratamento?

TM: Infelizmente, as pessoas que criticam o procedimento ainda estão presas à idéia do eletrochoque do passado sombrio dos manicômios. A humanidade evolui, a medicina evolui e com ela os procedimentos. A eletroconvulsoterapia é considerada um dos mais eficazes e seguros recursos para o tratamento de transtornos mentais graves, como depressão resistente, esquizofrenia, episódios de mania do transtorno bipolar, podendo ser aplicada ambulatorialmente ou com o paciente internado. Idosos, crianças e até gestantes podem fazer o procedimento. Muitas pessoas praticam a crítica pela crítica e não vão a fundo conhecer o que a ciência tem hoje pra oferecer. Além disso planejamos trazer pra região a estimulação magnética transcraniana e uma estrutura para aplicação de cetamina, que é uma das indicações de maior respaldo na atualidade para pacientes com ideação suicida, já que as medicações atualmente utilizadas demoram um pouco mais pra terem o efeito adequado e essas pessoas precisam de uma melhora mais rápida.

SM: A unidade será exclusivamente particular ou já há perspectivas de conveniência? Há expectativa de parceria com o Sistema Único de Saúde?

TM: Um dos grandes entraves para uma estrutura desse tipo ter vínculo com o SUS é quando falamos dos custos. O SUS paga em médica 42 reais a diária de um leito para paciente psiquiátrico. Será que é possível manter consultas com psiquiatra três vezes por semana, psicoterapia, nutricionista, equipe de enfermagem, terapias ocupacionais, educador físico, com esse valor? Por enquanto o Núcleo terá atendimentos particulares, de alguns planos de saúde e teremos um leito destinado exclusivamente ao município do Crato em contrapartida pelo terreno doado em lei municipal. O que não impede que futuramente, com recursos adequados do setor público e compatíveis com o que pretendemos ofertar, haja um convênio nesse sentido.

SM: Serão disponibilizadas também outros tipos consultas por sessão, como psicoterapia individual ou psicanálise?

TM: Sim. O que é importante saber é que o nosso atendimento será centrado no paciente. Então as psicoterápicas, os tipos de abordagem serão de acordo com a demanda do paciente. Teremos atendimentos também ambulatoriais, psicoterapias de várias abordagens e outras áreas de atuação que contribuem imensamente na recuperação mais rápida do paciente em quadro agudo grave.

SM: Quais são as perspectivas a médio e longo prazo e como a abordagem da saúde mental na região deve avançar com a abertura da unidade?

TM: Superaremos todas as críticas negativas por um objetivo maior, que é mostrar a possibilidade de se fazer intervenções reais para o paciente que sofre com quadros graves agudos e que precisam de ambiente seguro e confortável, totalmente planejado pro seu momento. Pretendemos trazer pro Cariri o conceito de ambientoterapia e mudar a médio e longo prazo a triste visão sobre o internamento de pacientes com transtornos mentais. Não podemos fechar os olhos e somente esperar pela iniciativa pública. É possível haver internamento, sem haver manicômio. Viemos para cuidar.

O luto sem perda: melancolia pode ser traço de depressão

No século IV a.C., o médico grego Hipócrates, considerado o pai da medicina, iniciou estudos sobre a personalidade melancólica e formulou a teoria dos quatro humores. Durante a Antiguidade greco-romana, a palavra ‘humor’ era relacionada a uma coisa úmida, um líquido, ou fluido. Em latim,’humor’ significa bebida ou líquido corporal. Sendo assim, a teoria desenvolvida por Hipócrates considerava 4 fluidos corporais — sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra — como determinantes da saúde do organismo. Se bem humorada, a pessoa estaria com fluidez de bons líquidos em seu interior. Atualmente, a palavra humor indica a disposição da afetividade de alguém. 

O significado primário da palavra melancolia é “bílis negra”, que  corresponde aos fluidos corporais frios e secos. Conforme o entendimento de Hipócrates, as pessoas com excesso de bile negra apresentariam um comportamento marcado pela tristeza e temor, além de olhar fixo no infinito e perda do apetite. Séculos mais tarde, o psicanalista Sigmund Freud descreve a melancolia como um luto sem perda, uma patologia que necessita de tratamentos específicos. 

Hoje, a melancolia pode ser tratada como tipificação de um transtorno de humor. O diagnóstico pode vir na forma de depressão melancólica devido às particularidades em comum aos dois estados. No entanto, eles se diferenciam principalmente pelo grau de intensidade e pelos possíveis sintomas associados. Outro ponto importante é que a melancolia também pode se apresentar como um temperamento, caracterizado pela introversão, grande sensibilidade e tendência ao isolamento, não configurando um problema em si, desde que não ocasione prejuízos sociais, profissionais e afetivos. 

Melancolia, tristeza e depressão

As semelhanças entre melancolia, tristeza e depressão podem confundir um diagnóstico. A melhor forma de diferenciá-los é analisar parâmetros como: duração, intensidade e fatores relacionados.

A tristeza é um sentimento, um afeto derivado da ideia de um mal presente ou idealizado. É uma reação psíquica diante de situações de perda, adversidades  ou frustrações. A duração é de algumas horas ou até poucos dias. Já a depressão é um transtorno em que há alterações neuroquímicas, podendo ou não ter um fator externo motivador. Ela afeta sono, apetite, libido, concentração, conteúdo do pensamento e, se não for tratada, prejudica a vida da pessoa como um todo. 

A melancolia, por outro lado, não teria comprometimento do raciocínio. Esse transtorno é mais especificamente sobre uma tristeza ininterrupta. O envelhecimento, por exemplo, é um fator que favorece o surgimento da melancolia. Quando o sujeito sofre com um acúmulo de perdas de conexões sociais, reflexões sobre sonhos não realizados e frustrações de uma vida pode desencadear um estado perpétuo de apatia, uma melancolia severa que pode levar à depressão. 

Como tratar

O acompanhamento psicoterápico e psiquiátrico é essencial para o rastreio mais assertivo desses sintomas. O tratamento pode envolver medicação para melhorar o humor, mas o acompanhamento com o psicólogo pode fornecer ferramentas para o enfrentamento da melancolia. Uma rotina de atividades físicas, meditação e boa alimentação são também cuidados que colaboram para a manutenção do equilíbrio físico e mental. 

Hiperconectividade na quarentena: efeitos físicos e emocionais

Com o isolamento social, o uso intensificado das tecnologias se tornou presente no dia-a-dia de muitas pessoas. Além de trabalhar e estudar, é por intermédio das telas que nos relacionamos com amigos e parentes e até mesmo realizamos atividades físicas. Ao fim do dia, a mente e o corpo dão sinais de esgotamento pelo excesso de conectividade. Cansaço, estresse e ansiedade são alguns dos sintomas desenvolvidos em uma rotina de uso abusivo da internet.  Para alguns especialistas, este é um problema a ser enfrentado. 

“O cérebro tem dificuldade de tornar inteligível grande parte das informações que antes absorvia por meio das interações presenciais”, explica Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas da USP, em entrevista ao site VC S/A do grupo Abril. Os problemas com a nova realidade ocorrem, porque mais de 70% da nossa comunicação se dá de forma não-verbal. Isso quer dizer que necessitamos do relacionamento presencial para estabelecer vínculos sociais. Caso contrário, o cérebro demanda um esforço muito maior e isso gera um esgotamento que pode originar ou desencadear  transtornos mentais. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), antes da pandemia, o Brasil já era o país mais ansioso do mundo e, também, apresentava a maior incidência de depressão da América Latina, impactando cerca de 12 milhões de pessoas. Em um cenário de angústias e instabilidades, como o da crise sanitária e econômica que vivemos, esses índices aumentam. É o que demonstra estudo feito em 2020 pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Os resultados indicam que os casos de depressão praticamente dobraram entre os entrevistados, enquanto as ocorrências de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80%, nesse período.

Sintoma da hiperconectividade 

O Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, elenca alguns sinais dados pelo corpo e pela mente em casos de excesso de telas. Veja: 

  • Cansaço
  • Estresse
  • Dores no corpo 
  • Dor de cabeça
  • Desconforto nos Olhos
  • Maus hábitos alimentares
  • Agressividade
  • Ansiedade
  • Baixa qualidade do sono 
  • Falta de concentração 
  • Sensação de improdutividade
  • Oscilação emocional 
  • Depressão 

Dependência em internet

Além disso, o grupo alerta que é preciso ficar atento(a) para indicativos de uma pessoa viciada em internet. São eles:

  • Preocupação excessiva com a Internet;
  • Permanece mais tempo conectado (on-line) do que o programado;
  • Irritabilidade e/ou depressão;
  • O trabalho e as relações sociais ficam em risco pelo uso excessivo;
  • Mente a respeito da quantidade de horas conectadas;
  • Quando o uso da Internet é restringido, apresenta instabilidade emocional.

Pelo site do grupo é possível fazer um teste de rastreio para  possíveis dependentes. Acesse pelo link: https://www.dependenciadeinternet.com.br/teste.php 

Adote estratégias

Para não se perder na hiperconectividade é necessário adotar novos comportamentos. Estabelecer limites para o uso das telas é o primeiro passo. Outro passo é iniciar uma higienização do sono. Evite ficar ao celular ou com a tv ligada na hora de dormir. A exposição à luz dos aparelhos eletrônicos é danosa para os olhos (causando cansaço visual) e interfere na produção de melatonina, o hormônio que indica ao fim do dia a necessidade de desacelerar para dormir. 

Vale também criar uma rotina de atividades manuais, seja cozinhar, ler um livro no formato físico ou estar com a família. Sobre a rotina de trabalho em casa, é importante ter intervalos para levantar, fazer um alongamento, beber água e tirar um tempo, mesmo que pequeno, para descansar. 

Segundo Cristiano Nabuco, da USP, outro conselho é sobre as práticas de trabalho no computador. Ele recomenda diminuir a quantidade de abas abertas no navegador e evitar fazer várias tarefas ao mesmo tempo. É importante manter a concentração no que está fazendo para não se atrapalhar e lotar a mente com informações.