Todo mundo precisa de terapia?

Hoje em dia a frase “todo mundo deveria fazer terapia para lidar com quem precisa de terapia e não faz” é muito compartilhada nas redes sociais. Ela é uma perspectiva interessante do ponto de vista da divulgação dessas ferramentas que auxiliam na saúde mental. Por outro lado, é uma tentativa falha de determinar quem deve ou não buscar auxílio de um psicólogo. 

Abordagens psicoterápicas são tratamentos e tem base científica. Cada uma, seguindo sua metodologia, tem o propósito de auxiliar o paciente a se conhecer melhor, definir o seu sofrimento e desenvolver estratégias  para resolvê-lo. Veja, isso não se restringe apenas ao tratamento de transtornos mentais, mas a tudo aquilo que incomoda o sujeito e causa desconforto emocional. 

Para identificar se um sofrimento psicológico está além do normal é preciso observar alguns sinais como: duração dessa angústia, intensidade, prejuízos  sociais causados por ela, além dos sintomas físicos e comportamentais como dores de cabeça e no corpo, desconforto gástrico, fadiga, oscilações de humor, irritabilidade , etc.

Sobretudo, o pontapé inicial da decisão de buscar ajuda especializada deve considerar a sua  vontade de estar engajado(a) nesse processo de autoconhecimento. Importante salientar que nenhuma terapia “conserta” o indivíduo, mas auxilia na lida com seus próprios sentimentos objetivando o bem-estar. 

Já em relação ao tempo e o esforço desprendidos no tratamento, são variações que dependem consideravelmente da resposta do paciente. Na Psicanálise, por exemplo, não existe o conceito de “alta” do analisante. Cada um decide até onde quer ir e se dá alta. Sendo assim, existe uma gama de possibilidades psicoterápicas, cada uma indicada para cada tipo de demanda. 

Portanto, não se deve impugnar ao outro um tratamento só porque você faz e é benéfico para você. Cada um tem o seu contexto, suas dores, limitações e necessidades. É por isso que é tão importante buscar um profissional da saúde mental ao invés de tentar resolver só ou com um amigo. O profissional é quem domina as técnicas e tem capacidade de aplicá-las.

Nem toda grávida está feliz: sem estigmas, entenda o que é a depressão pós-parto, sintomas, níveis e tratamentos

O período da gravidez e o pós-parto nem sempre é um mar de rosas, permeado por felicidade e excitação. Muitas mulheres podem vivenciar turbulências emocionais e psicológicas, ficando deprimidas, cansadas e irritadiças por um tempo maior que o comum. Caso esses sintomas se prolonguem por mais de duas semanas, é preciso buscar ajuda especializada. 

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estima que 25% das mulheres brasileiras sofram com depressão pós-parto (também conhecido pela sigla DPP). O estudo foi realizado com mais de 23 mil mulheres e identificou uma alta prevalência de depressão pós-parto seis meses após o nascimento. “O atendimento deficiente para essas mulheres e bebês durante o parto influencia mais na depressão pós-parto do que intervenções e complicações físicas obstétricas ou neonatais.”, conclui. 

Apesar da incidência de casos, a doença ainda é vista com estigmas e muitas dúvidas. A seguir, entenda melhor o que é a DPP e quais são os sintomas, quais os níveis da doença e tratamentos.

O que é DPP?

A depressão pós-parto é uma doença que aparece após a gestação e pode surgir até o primeiro ano de vida do bebê. É caracterizada como um quadro depressivo que envolve o sentimento de tristeza, pessimismo, diminuição da disposição, tendência a olhar para as coisas de uma forma negativa, sem saída, além da falta de vontade de cuidar do bebê ou excesso de proteção, entre outros.  Alguns casos podem  complicar e evoluir para uma forma mais grave, conhecida como psicose pós-parto. 

Quais os sintomas?

A similaridade com qualquer outro quadro depressivo é grande, no entanto, a principal diferença é o comprometimento do vínculo com o bebê. Por isso, observe e dê ouvido às suas emoções

  • Falta de interesse por atividades diárias que anteriormente eram prazerosas;
  • Perda ou ganho de peso rápido;
  • Insônia ou excesso de sono
  • Cansaço extremo;
  • Ansiedade e excesso de preocupação;
  • Sentimento de desvalia.
  • Sentimento de culpa;
  • Irritabilidade
  • Tristeza profunda;
  • Ansiedade
  • Choro frequente
  • Dificuldade para se concentrar e tomar decisões;
  • Vontade de prejudicar ou fazer mal ao bebê ou a si própria
  • Cuidado excessivo com o bebê

Causas

Os principais fatores envolvem aspectos físicos, emocionais, contextuais, estilo e qualidade de vida, oscilações hormonais típicas do puerpério e também histórico de doenças ou transtornos mentais. A DPP pode surgir até um ano após o nascimento do bebê. Em alguns casos, surgem em meses mais avançados como seis, oito…

Níveis e tratamentos

A depressão pós-parto pode ser leve, moderada e grave. Nos mais leves e moderados, a mulher fica mais sensível e não há grande comprometimento em suas  atividades . Nesses casos, medicação e terapia podem ajudar significativamente. Nos casos mais graves, e mais raros, podem surgir sintomas psicóticos como:

  • Delírios; 
  • Alteração do pensamento e julgamento; alucinações, mais comumente auditivas ;
  • Vontade extrema de fazer mal ao bebê, a si mesma ou a qualquer pessoa;

É de suma importância estar atenta aos sinais, buscar um psiquiatra e se amparar em sua rede de apoio.  O tratamento adequado vai depender do nível da doença e só deve ser prescrito por um médico qualificado que seja de sua confiança.  Atualmente existem medicações  modernas e seguras na gestação e no puerpério. A ausência de tratamento, inclusive, pode ser prejudicial para o bebê. Seguindo o tratamento corretamente, é possível curar a depressão pós-parto. 

Associação de Psiquiatria do Estado do Ceará sai em defesa da instalação de leitos psiquiátricos para internamento de pacientes em estado grave

No último 26 de julho, a Associação de Psiquiatria do Estado do Ceará (APEC) lançou nota oficial em apoio à instalação de leitos psiquiátricos para internamento de pacientes em estado grave no Ceará. O pronunciamento vem num momento em que a instalação de uma unidade de atendimento psiquiátrico é anunciada na região do Cariri Cearense. O empreendimento, chamado Núcleo de Saúde Mental, tem o foco de prestar atendimento integral à saúde de pacientes com transtornos mentais e dependência química e oferecer a oportunidade para uma reestruturação da vida dessa pessoa. A previsão de iniciar os serviços é julho de 2022. 

Na fundamentação da manifestação, a APEC considera normativas de âmbito federal para embasar o apoio. Em Nota Técnica de 2019, o Ministério da Saúde dispõe sobre novas diretrizes para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) que acrescentam aos serviços já existentes,equipamentos como: Ambulatório Multiprofissional de Saúde Mental – Unidades Ambulatorias Especializadas; Hospital Psiquiátrico; Hospital-Dia. 

Outro destaque priorizado pela entidade é a Lei nº 10.216/01, mais conhecida como “Lei Antimanicomial”, que estabelece como  direito à saúde e proteção de pessoas com transtornos psiquiátricos. Nesse sentido, o pronunciamento da APEC menciona ainda as evidências científicas que relacionam diretamente o aumento de suicídios e criminalidade com a diminuição de leitos psiquiátricos. 

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil conta hoje com uma cobertura deficitária nesta modalidade assistencial. Somando leitos em Hospitais Psiquiátricos e aqueles em Hospitais Gerais, há cerca de 0,1 leito por 1.000 habitantes, quando o preconizado pela própria Pasta seria de 0,45 por 1.000 habitantes. “[…] não podemos olhar os transtornos mentais de maneira simplificada ou romantizada. Estamos em uma epidemia de sofrimento emocional”, reforça a APEC no documento. 

Enfatiza-se também a obrigatoriedade da existência de Hospitais Psiquiátricos, como preconiza a Lei Antimanicomial. No pronunciamento, a APEC diz apoiar abertura de hospitais psiquiátricos no território cearense que atuem de forma humanizada e forneçam tratamento num tempo hábil de recuperação do paciente. Ainda, exprime total desaprovação às instituições que pratiquem os moldes manicomiais e institucionalizam o paciente psiquiátrico. 

O Núcleo de Saúde Mental do Cariri

O Núcleo de Saúde Mental está previsto para inaugurar em julho de 2022 na cidade do Crato, interior do Ceará. A estrutura foi projetada para expandir horizontal e verticalmente, de acordo com o crescimento da demanda por atendimentos. Inicialmente, serão 3.000m² de área construída, com 30 leitos em apartamentos duplos e/ou individuais, Pronto Atendimento com consultório médico e sala de observação. 

O objetivo é criar um ambiente terapêutico que possibilite o acesso do paciente a novas formas de se relacionar, com musicoterapia, yoga, educação física, campo, piscina. O serviço funcionará num modelo totalmente diferente do adotado antigamente. O foco é um tratamento baseado na clínica ampliada do sujeito, que trate o paciente como um todo e não apenas  os sintomas. Desta forma, é possível garantir a civilidade do paciente. 

“É possível haver internamento sem haver manicômio”; leia entrevista concedida ao Site Miséria 

Medicamentos psiquiátricos causam dependência? Conheça (e rompa) com os maiores estigmas sobre o assunto

Um grande impeditivo de pessoas buscarem um tratamento psiquiátrico  é o medo das medicações e suas reações. Muitas vezes, levam em conta informações falsas ou distorcidas e acabam colocando a saúde mental em último plano. Há o medo da dependência, de ficar incapacitado(a), de aumentar de peso, de passar a vida inteira tomando um remédio… O assunto é de fato cercado por dúvidas e inseguranças, mas isso provavelmente se deve ao histórico de antigas medicações  que geravam efeitos adversos  desconfortáveis aos pacientes. Felizmente, as últimas décadas foram de avanços significativos para a neurociência, inclusive no desenvolvimento de psicotrópicos mais modernos e eficazes. 

Devemos começar por um dos pontos mais importantes que é a definição de dependência. O Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana (DSM-IV) define a dependência como um padrão mal adaptativo do uso de substâncias, que leva a prejuízo ou sofrimento significativo, caracterizado pela presença de três ou mais dos critérios a seguir, pelo período de um ano: 

  • tolerância;
  • abstinência;
  • consumo por período de tempo mais prolongado e em quantidades maiores que o planejado; 
  • desejo persistente de uso e incapacidade para controlá-lo; 
  • muito tempo gasto em atividades para obtenção da substância;
  • redução do círculo social em função do uso da substância;
  • persistência do uso da substância, apesar de prejuízos clínicos.

Nesse sentido, muitas pessoas relacionam, de forma generalizada, os psicotrópicos à dependência química, pois acreditam que com a retirada do medicamento, o paciente sofrerá abstinência. O primeiro erro é acreditar que todos os fármacos prescritos por psiquiatras causam dependência. Antidepressivos, antipsicóticos, estabilizadores de humor, entre outros, não têm potencial de dependência. 

A classe de medicação que pode ter mecanismos de gerar dependência é a dos benzodiazepínicos, mais conhecidos como “receita azul” ou “tarja preta”. São medicamentos de grande importância para tratamento  agudo da ansiedade, ou seja, aliviar sintomas a curto prazo. São utilizados com muito critério médico e sim, podem apresentar perigos quando administrados de forma descontrolada, como no caso de pessoas que se automedicam. 

Muitos pacientes também temem que irão passar o resto da vida tomando um remédio ou queixam-se sobre a dificuldade de retirar o medicamento. O tempo de uso vai depender de cada transtorno e da gravidade dos sintomas. Não é que seja difícil parar, mas é o psiquiatra quem tem a competência de conduzir a estratégia de retirada da melhor maneira para não causar desconfortos ao paciente. 

No geral, na maioria dos casos, o tratamento medicamentoso é temporário. Somente em alguns casos, por serem refratários, resistentes ou crônicos, é necessário tratar sem previsão de alta porque o benefício será maior que o prejuízo. 

“O que deixa uma pessoa disfuncional é o transtorno mental e não a medicação. Estas, são usadas para corrigir qualquer déficit causado pelo transtorno psiquiátrico. No cenário brasileiro, dentre os 10 problemas de saúde mais incapacitantes, cinco são psiquiátricos.” 

Outro ponto permeado por estigmas é uma suposta improdutividade causada por antidepressivos. O que deixa uma pessoa disfuncional é o transtorno mental e não a medicação. Estas, são usadas para corrigir qualquer déficit causado pelo transtorno psiquiátrico. No cenário brasileiro, dentre os 10 problemas de saúde mais incapacitantes, cinco são psiquiátricos. 

Há muitos mitos, inverdades e desinformações espalhadas por aí sobre assuntos relacionados à saúde mental. Por outro lado, estamos trilhando um caminho de conscientização sobre a importância de um olhar atento às questões da saúde mental. Toda e qualquer medicação precisa ser recomendada por um profissional da saúde qualificado para tal ato. Por fim, o estigma sobre o uso de psicofármacos precisa ser superado, tendo em vista que doenças psiquiátricas precisam de tanta atenção e cuidado quanto qualquer outro adoecimento. 

“É possível haver internamento, sem haver manicômio”; leia entrevista concedida ao Site Miséria

Com o anúncio da construção de uma nova unidade de saúde com abordagem psiquiátrica na região do Cariri Cearense, muitas dúvidas e críticas surgiram no debate público. Isso ocorre por dois motivos:  pouco se conhece sobre a Lei Antimanicomial nº 10.216, de 6 de abril de 2001; e ainda há grande estigma sobre tratamentos médicos adequados para pacientes psiquiátricos. 

O Núcleo de Saúde Mental está previsto para inaugurar em julho de 2022 na cidade do Crato, interior do Ceará. A estrutura foi projetada para expandir horizontal e verticalmente, de acordo com o crescimento da demanda por atendimentos. Inicialmente, serão 3.000m² de área construída, com 30 leitos em apartamentos duplos e/ou individuais, Pronto Atendimento com consultório médico e sala de observação. 

Enquanto sócio-proprietário do Núcleo, concedi entrevista ao Site Miséria e falei de assuntos como o modelo de internamento não asilar, compreendido Lei nº 10.21; a carência profunda no Brasil por leitos dedicados ao paciente psiquiátrico e o conceito de ambientoterapia que trabalharemos. É momento de elucidar esses pontos para deixarmos o passado sombrio para trás e fortalecer as novas abordagens terapêuticas praticadas pela medicina que priorizam a individualidade e bem-estar de cada paciente. 

Se você tem dúvidas sobre a temática e quer entender melhor, confira a entrevista completa:

Site Miséria: De onde surgiu a ideia de abrir um hospital psiquiátrico no Cariri? Por que?

Thiago Macedo: Primeiramente queremos desconstruir a ideia de hospital, pois hospitais psiquiátricos remetem a antigos manicômios, que, de forma alguma, se aproximam com a nossa proposta. O Núcleo de Saúde Mental do Cariri foi idealizado com uma concepção inovadora para nossa região, mas que já existe em outros centros e países desenvolvidos. A OMS preconiza a existência de 0,45 leitos por 1000 pessoas, mas no Brasil há uma lacuna absurda, tendo apenas 0,041 leitos para 1000 pessoas. Essa desassistência repercute absurdamente na vida de pacientes que sofrem com quadros agudos graves. Nessa perspectiva, resolvemos trazer para região do Cariri o que há de mais moderno em tratamento ambulatorial e com internamentos breves para pessoas que passam por suplício. Vivemos, ainda, às sombras dos manicômios antigos e muitas pessoas são tratadas de formas inadequadas em comunidades terapêuticas que sequer cumprem com o rigor da definição de um modelo não asilar.

SM: O projeto apresenta a unidade hospitalar com uma alternativa inovadora para tratamento interno de transtornos mentais. Ainda assim, recebeu algumas críticas, inclusive citando a lei antimanicomial (Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001). Há equívoco nas críticas? Por que?

TM: O grande equívoco nas críticas é considerar a lei 10.216 como marco proibitivo para internamentos. A lei é clara e através dela são listados os inúmeros direitos das pessoas acometidas por transtornos mentais. Ela vem para nortear a acertada mudança de planos na assistência, dando ênfase aos serviços da atenção primária e secundária, como CAPS e ambulatórios, proibindo expressamente internamentos em regimes asilares. A lei é perfeita, não há o que questionar. É importante salientar aqui o artigo 4º, em que cita a internação, quando temos a precisa indicação dessa conduta somente na insuficiência de outros recursos. O inciso 2º deste mesmo artigo discorre sobre o que é uma internação adequada e não asilar, que seria com assistência integral, equipe multidisciplinar com médicos, enfermeiros, assistente social, psicólogos, terapeutas ocupacionais e lazer. No caso do nosso serviço, nutricionista, educador físico, arteterapia, musicoterapia.

SM: O hospital anunciou o uso da Eletroconvulsoterapia, o que também chegou a ser criticado na internet. Do que se trata e como o senhor vê as críticas a tal alternativa de tratamento?

TM: Infelizmente, as pessoas que criticam o procedimento ainda estão presas à idéia do eletrochoque do passado sombrio dos manicômios. A humanidade evolui, a medicina evolui e com ela os procedimentos. A eletroconvulsoterapia é considerada um dos mais eficazes e seguros recursos para o tratamento de transtornos mentais graves, como depressão resistente, esquizofrenia, episódios de mania do transtorno bipolar, podendo ser aplicada ambulatorialmente ou com o paciente internado. Idosos, crianças e até gestantes podem fazer o procedimento. Muitas pessoas praticam a crítica pela crítica e não vão a fundo conhecer o que a ciência tem hoje pra oferecer. Além disso planejamos trazer pra região a estimulação magnética transcraniana e uma estrutura para aplicação de cetamina, que é uma das indicações de maior respaldo na atualidade para pacientes com ideação suicida, já que as medicações atualmente utilizadas demoram um pouco mais pra terem o efeito adequado e essas pessoas precisam de uma melhora mais rápida.

SM: A unidade será exclusivamente particular ou já há perspectivas de conveniência? Há expectativa de parceria com o Sistema Único de Saúde?

TM: Um dos grandes entraves para uma estrutura desse tipo ter vínculo com o SUS é quando falamos dos custos. O SUS paga em médica 42 reais a diária de um leito para paciente psiquiátrico. Será que é possível manter consultas com psiquiatra três vezes por semana, psicoterapia, nutricionista, equipe de enfermagem, terapias ocupacionais, educador físico, com esse valor? Por enquanto o Núcleo terá atendimentos particulares, de alguns planos de saúde e teremos um leito destinado exclusivamente ao município do Crato em contrapartida pelo terreno doado em lei municipal. O que não impede que futuramente, com recursos adequados do setor público e compatíveis com o que pretendemos ofertar, haja um convênio nesse sentido.

SM: Serão disponibilizadas também outros tipos consultas por sessão, como psicoterapia individual ou psicanálise?

TM: Sim. O que é importante saber é que o nosso atendimento será centrado no paciente. Então as psicoterápicas, os tipos de abordagem serão de acordo com a demanda do paciente. Teremos atendimentos também ambulatoriais, psicoterapias de várias abordagens e outras áreas de atuação que contribuem imensamente na recuperação mais rápida do paciente em quadro agudo grave.

SM: Quais são as perspectivas a médio e longo prazo e como a abordagem da saúde mental na região deve avançar com a abertura da unidade?

TM: Superaremos todas as críticas negativas por um objetivo maior, que é mostrar a possibilidade de se fazer intervenções reais para o paciente que sofre com quadros graves agudos e que precisam de ambiente seguro e confortável, totalmente planejado pro seu momento. Pretendemos trazer pro Cariri o conceito de ambientoterapia e mudar a médio e longo prazo a triste visão sobre o internamento de pacientes com transtornos mentais. Não podemos fechar os olhos e somente esperar pela iniciativa pública. É possível haver internamento, sem haver manicômio. Viemos para cuidar.